Conceitos de Saúde e Doença para a Medicina Ocidental e para a MTC- Medicina Tradicional Chinesa.

Conceitos de saúde e doença são distintos entre a Medicina Ocidental e pela MTC- Medicina Tradicional Chinesa. “A medicina ocidental possui uma definição específica e estrita de ‘doença’ como um ‘processo mórbido definido, amiúde com um encadeamento característico de sintomas. ” (Filshie, Jacqueline e White, Adrian, in “Acupuntura Médica- Um enfoque científico do ponto de vista ocidental”, editora Roca, São Paulo, SP, 2002, pág. 12) São várias as análises e elaborações de saúde e doença. A Medicina Ocidental distanciou-se das observações da natureza, do convívio social do “homem doente” e de terapias mágicas e intuitivas. Na busca pelo conhecimento, busca-se um pensar que oriente as ações que venham a assegurar o êxito das práticas médicas. Concentra-se desde Galeno (sec. XV) na Fisiologia, Patologia e Terapia. Presenciamos uma ampla evolução dos conhecimentos médicos, das patologias e das terapias, apresentando possibilidades de diagnósticos mais precisos, sobretudo com o advento das pesquisas clínicas, dos exames laboratoriais e de imagens, e das recentes descobertas das pesquisas sobre a hereditariedade de determinados fenômenos e das pesquisas da Neurociência. O Tratamento também evoluiu de forma eficaz, contribuindo para o seu êxito, obedecendo parâmetros dos estudos estatísticos. Este movimento pelo pleno conhecimento da saúde e doença pela Medicina Ocidental, possibilitou o surgimento de fragmentação e segmentação através de especializações do próprio conhecimento e atuação médica. Esta efervescência pela busca do Conhecimento e da Eficácia dos Tratamentos, motivou a valorização e personificação das doenças como entidade, desvalorizando o “homem doente”. Hoje, observamos o questionamento da desumanização das práticas médicas e o voltar do pensamento científico para uma visão holística do “homem doente”: “Quem está doente”? Os epistemologistas modernos afirmam que a doença é decorrente do desencontro ou da falta de equilíbrio entre o ser humano e o meio ambiente e social em que vive. A Organização Mundial de Saúde define que saúde é “um estado completo de bem-estar físico, mental e social e não simplesmente a ausência de doença e enfermidade”. (OMS-Organização Mundial de Saúde, 1964).

Já a MTC sempre apresentou o conceito holístico em sua atuação. Desde a sua concepção filosófica, fundamentada na observação da natureza e na interação dos seres vivos para com a mesma, na constatação de importante influencia que o Mental e o Emocional exercem na saúde e bem-estar do indivíduo e na obtenção de equilíbrio nas suas relações para com o meio em que vive. Fundamenta e emprega atividades de cura das distorções destas relações físicas, emocionais e sociais, mas prioriza a atitudes de prevenção e de constante preocupação em buscar o equilíbrio antes que as moléstias se instaurem ou progridam. Para tanto, empreende compreender a propriedade dos alimentos e da ingestão consciente das mesmas em dieta balanceada, da importância dos movimentos e exercícios corporais e das práticas meditativas e espirituais para combater excessos, estresses e inúmeros outros desequilíbrios que possam futuramente manifestar-se em males que possam trazer desconforto e restrições no bem viver.

“Quando existe um estado de doença, a MTC busca restaurar o equilíbrio do corpo e reequilibrar o “Yin e Yang”. Yin e Yang representam forças opostas ou extremidades opostas de uma escala ou de um âmbito de valores. Reequilibrar o yin e yang pode significar, do ponto de vista moderno, o restabelecimento de valores biológicos normais. Quando o equilíbrio é perturbado por um agente arrasador (por exemplo, uma infecção bacteriana), a MTC é ineficaz e inferior aos métodos modernos de intervenção, como os antibióticos. Mas quando o desequilíbrio é o resultado de uma diminuição do poder de defesa do hospedeiro, a MTC estimula os poderes homeostáticos da ‘inteligência’ do corpo (Cannon, 1963 para readquirir o equilíbrio normal. ” (Filshie, Jacqueline e White, Adrian, in “Acupuntura Médica- Um enfoque científico do ponto de vista ocidental”, editora Roca, São Paulo, SP, 2002, pág. 13).

Portanto, já não se pode dizer que a MTC é uma medicina alternativa ou complementar, pois não está subordinada à Medicina Ocidental. Tanto a MTC quanto a Medicina Ocidental são medicinas que contém eficácias e limitações em suas ações, por exemplo, a Medicina Ocidental é muito eficaz na atuação em cirurgias e nos males agudos, sendo que nos quadros crônicos ela se limita a tratar os problemas e seus sintomas na busca de minimizar os sofrimentos e impedimentos gerados pelo mesmo ao seu portador. Já a MTC tem limitações no êxito em relação aos casos agudos e infecciosos, mas nos casos crônicos atua na condição de promover a solução dos mesmos, com sucessos reconhecidos. Assim, no meu entender, tanto a Medicina Ocidental como a MTC são ciências completas e importantes nos seus propósitos de atuação, coabitando o mesmo meio social, coexistindo e compartilhando seus conhecimentos e suas formas de atuação, possibilitando ao paciente a escolha da abordagem clínica que confiará o tratamento para o(s) problema(s) que enfrenta.

Bibliografia:

  • Filshie, Jacqueline e White, Adrian, “Acupuntura Médica- Um enfoque científico do ponto de vista ocidental”, editora Roca, São Paulo, SP, 2002.
  • Hegenberg, Leonidas, “Doença: um estudo filosófico, ed. Fiocruz, Rio de Janeiro, RJ, 1998.

Léo Baroni- Psicólogo com especialização em Acupuntura